Publicado em Jan 5, 2012

Afinal a Jerónimo Martins ter-nos-à ajudado?

Ainda sobre a JM e para os poucos que ainda não entraram na histeria colectiva, e antes que o façam, é bom saber do que estamos a falar!

A venda da participação de 56% da Jerónimo Martins a uma subsidiária com sede na Holanda, a Sociedade Francisco Manuel dos Santos DV – ninguém mudou sede nenhuma, houve apenas a alienação de participações sociais de uma SGPS – vai afectar a balança de pagamentos portuguesa de 2011 mas tem, por enquanto, efeito prático nulo para os cofres do estado, uma vez que:

a) A Jerónimo Martins continuará a pagar IRC em Portugal sobre os lucros aqui obtidos ou realizados fora do país.

b) Os acionistas continuarão a ser tributados aqui.

Surge então a pergunta legitima, porque fazê-lo? Para:

a) Evitar a dupla tributação associada ao investimento que o grupo tem previsto para a Colômbia. A dupla tributação Portugal-Colômbia é parcial enquanto Holanda-Colômbia é total. Também na Holanda, os juros e comissões relacionados com aquisições de participações são dedutíveis no IRC, enquanto por cá não.

b) Fugir às alterações que eventualmente irão ser introduzidas em 2011 sobre a tributação de dividendos obtidos fora de Portugal. Por enquanto é zero, mas o que saberá a JM que nós ainda não sabemos?

Esta ultima questão é a mais interessante. Quem sabe esta ação da JM irá fazer o Governo recuar, tendo sido por isso e em ultima análise, afinal bom para todos nós?

Publicado em Jul 6, 2011

Portugal no recreio da escola primária

O primeiro miúdo, o mais franzino, parecia ser o mais fraco. Os mais fortes resolveram pô-lo à prova: seria um alvo fácil dada a sua fragilidade. Ao primeiro que se aproximou respondeu “fazes-me alguma e levas um pontapé nos tomates”. Rapidamente mudaram de ideias.

O segundo miúdo, bem bronzeado e com ar simpático não teria sido escolhido não fosse o ser ar anafado, de quem come com as mãos e se enfarta todos os dias à mesa. Resolveram primeiro tirar-lhe o boné, já gasto do Sol. Voo de um lado para o outro entre as mãos dos mais atletas até ao fim do recreio. Ainda tentou correr, mas desistiu cedo e nunca mais recuperou o boné. No dia seguinte já levava pancada de todos, até do franzino, com quem no dia anterior, tinha tentado um pacto de não agressão circunstancial.

As meninas foram repreendidas por espalharem a notícia de que o gordinho lá da escola era o mais fraco de todos. Foi-lhes dito que era feio o que andavam a fazer e que só incentivava outros a baterem-lhe também. A directora da escola aconselhou-o: “Se te baterem mais vem-me dizer imediatamente; o que te estão a fazer não é correcto”.

O pai, não menos rechonchudo, foi mais longe: “avisa-os que lhes dás um pontapé nos tomates se te fizerem mal”. No segundo dia, já ia mais longe: “dá-lhes mesmo um pontapé nos tomates”.

Como já ninguém o levava a sério – de ser tão roliço, nem um pontapé conseguia dar – o pai, já em desespero, pensou: “Já só há uma maneira de resolver isto, quando ele hoje chegar da escola, vou-lhe dizer para levar a minha arma e dar um tiro num”.

Não era o pai o único a estremar posições. Determinados a ver até onde o pequeno podia ir, tinham-no levado, nesse mesmo dia, para uma falésia de uma praia perto.

Quem nem cães a coelho, rodeavam-no e ladravam: “Atira-te maricas, atira-te”! Os gritos da matilha de um lado e o precipício da falésia do outro.

Conseguiria o seu rebento ganhar coragem e, finalmente e em desespero, retaliar? Ou desistiria nos braços da sua fraqueza e, para espanto e gáudio dos outros rapazes, atirar-se-ia mesmo pela falésia abaixo?

Publicado em Nov 24, 2010

1995, o boom do multimedia em Portugal

Artigo que escrevi para a revista Visão, há exactamente quinze anos!

O ano de 1995 foi, na altura, considerado o ano do despertar da Internet em Portugal com 9 mil computadores ligados à Internet! 40 mil tinham leitores de CD-Rom: a loucura!

A recém-nascida Exame Informática puxa para capa “Portugal Online”, a Telepac é o único ISP e o SAPO ainda é só um serviço de apontadores portugueses.

Outras tendências, como os “cyber cafés” ou o VRML (3D nos browsers), acabaram por não ter o boom que então se previa.

E, curiosamente, uma notícia é tão actual como há 15 anos: Cavaco Silva inaugura site de campanha de candidatura à presidência da Republica!

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